sexta-feira, 10 de julho de 2015

Papa Francisco e a visão medieval do capitalismo

O papa Francisco é comunista? Lamentavelmente, parece que sim. Nesta quinta-feira, dia 9 de julho, o papa esteve na Bolívia e recebeu de Evo Morales um crucifixo na forma de foice e martelo. Misturar símbolos de duas idéias tão díspares – cristianismo e comunismo – em um mesmo artefato é de um mau gosto atroz, para dizer o mínimo. O papa aparentemente não gostou do presente. Poderia ter recusado, mas não o fez. Acho que aceitar o presente não é tão grave. O pior foi sua fala, em que disse, entre outras coisas, que o capitalismo é uma “ditadura sutil” e defendeu uma “mudança de estruturas”.


Compreendo perfeitamente que o papa esteja descontente com a pobreza que assola boa parte da humanidade e com a devastação do meio ambiente. Na verdade, quem está contente com isso? Acho que qualquer pessoa sensata gostaria que o mundo fosse melhor, que não houvesse tanta miséria e tanta agressão à natureza. Mas qual o melhor caminho para chegar a essa sociedade mais próspera e consciente? Com certeza, não será através do socialismo. Tanto João Paulo II como Bento XVI estavam bem cientes disso, mas, infelizmente, não é o caso de Francisco.

O papa padece de uma enfermidade que assola o mundo inteiro, mas especialmente a América Latina, um misto de incompreensão com fantasia. Incompreensão de como funciona uma economia de mercado. E fantasia de que o socialismo possa solucionar problemas econômicos ou ambientais.

Já comentei mais de uma vez nesse espaço por que uma economia socialista, centralmente planejada, não pode ser eficiente. E, se não pode ser eficiente, não pode gerar prosperidade. Pode, no máximo, repartir pobreza.

Do ponto de vista ambiental, os comunistas também não têm muito do que se orgulhar. Nos idos dos anos 1970 ou 1980, eu me lembro de uma reportagem de TV sobre a cidade mais poluída do mundo, que, por acaso, ficava na Romênia. A União Soviética também nunca foi um exemplo de preservação ambiental. Há um vídeo bem interessante no YouTube, chamado “Let’s do it Estônia”, que mostra bem como os soviéticos tratavam o meio-ambiente.



Historicamente, a Igreja católica sempre foi resistente ao capitalismo. Clérigos católicos, desde o final da Idade Média, tinham uma postura claramente anticapitalista; criticavam a busca pelo lucro, a ambição e o desejo de acumular riqueza – ou seja, todos os motivos interesseiros que azeitam a máquina capitalista de produção. Coube aos protestantes libertar a classe capitalista do opróbrio moral imposto pelos católicos. A ética protestante foi peça fundamental na expansão capitalista.

Mas tudo isso é passado. Católicos e protestantes compartilham, no mundo de hoje, uma visão de mundo muito parecida. Ou, pelo menos compartilhavam, até agora. Não menosprezem a fala do papa e sua capacidade de influenciar pessoas. Com certeza, muita gente vai pensar: até o papa é contra o capitalismo, então esse sistema é realmente ruim. Muitos também vão se esquecer de que o marxismo é uma ideologia fundamentada no ateísmo e numa visão materialista do mundo. Se até o papa defende o socialismo, então o caminho é mesmo por aí. Infelizmente, o papa pode estar muito bem intencionado, mas está retroagindo à Idade Média com seu discurso e prestando um grande desserviço à humanidade.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Diga não à doutrinação ideológica

O socialismo é uma utopia muito interessante em termos teóricos, mas terrível na prática. Essa ideologia ceifou milhões de vidas em várias partes do mundo e somente foi capaz de produzir pobreza e opressão. Acho que não há nenhuma novidade nisso. O que realmente me impressiona é o fato de, apesar de tantos dados negativos, muitas pessoas ainda acreditarem que o socialismo possa, de alguma maneira, melhorar as condições de vida de uma nação.



Entre os que defendem o socialismo, há pelo menos três grandes grupos. Primeiramente, os oportunistas: pessoas que não se importam se uma economia estatizada é eficiente ou não. Os oportunistas não estão interessados nesse aspecto, para eles isso é irrelevante. O ideal socialista ainda é capaz de mover multidões, é um meio de se chegar ao poder e é isso que importa.

Um segundo grupo é o dos manipulados. São, de um modo geral, pessoas de pouca instrução e baixa capacidade cognitiva. Esse é provavelmente o grupo mais numeroso. São pessoas que não entendem nada de economia ou política, mas estão plenamente convencidas de que o capitalismo é opressivo e que o socialismo é a redenção.

O terceiro grupo é o que eu considero mais complexo e interessante. São pessoas inteligentes, bem informadas, algumas inclusive com alto grau de instrução, e que, mesmo assim, defendem os ideais socialistas. Como entender esse grupo? Essas pessoas são anticapitalistas. Isso, até certo ponto, é compreensível. O capitalismo não é necessariamente bom. Ele pode ser bom, mas isso depende de uma série de condicionantes. A economia brasileira sempre, desde o período colonial, teve alguns elementos capitalistas: comércio, propriedade privada, obtenção de lucro, acumulação de capital etc. Com o passar do tempo, o escravismo, o monopólio comercial e outros resquícios pré-capitalistas foram superados. Todavia, o Brasil sempre foi e continua sendo uma sociedade profundamente desigual e com imensos bolsões de pobreza. Por que o capitalismo no Brasil não foi capaz de gerar riqueza para todos? Essa é a grande questão.

O principal fator de mobilidade social e geração de riqueza em uma sociedade é a educação. Para que uma sociedade seja justa, o governo tem de assegurar que todas as crianças e adolescentes tenham acesso à educação básica de qualidade. Isso não significa que o governo deve necessariamente manter escolas públicas. As escolas podem ser privadas, mas, se os pais não tiverem recursos suficientes para pagar o estudo dos filhos, o governo deve prover esse benefício.

Em vez de escolas privadas e uma assistência apenas para as famílias muito pobres, o Brasil optou por uma solução muito mais onerosa: o ensino público e gratuito, ofertado a todos indistintamente. O grande problema é que esse ensino público e gratuito tem um baixíssimo nível de qualidade. Hoje, no Brasil, é comum um jovem terminar o ensino médio semialfabetizado, capaz de ler um texto, mas sem entender o que leu. Esse mesmo jovem, muitas vezes, é incapaz de realizar operações aritméticas básicas. Logicamente, uma pessoa com tal nível de formação não vai disputar os melhores empregos no mercado de trabalho. Esse jovem não será médico, engenheiro ou advogado. Para ele estão destinadas as funções de segunda ou terceira categoria. Em outras palavras, a educação no Brasil, em vez de funcionar como um fator de mobilidade social, funciona como um cimento que solidifica ainda mais o circulo vicioso da pobreza.

Esse modelo de educação disfuncional que vigora no Brasil é um terreno fértil para a difusão de ideias socialistas e marxistas. Quando os professores ensinam aos alunos que a sociedade está dividida em classes sociais, que existe uma classe dominante e uma classe dominada, os alunos tendem a aceitar essa ideia, porque ela parece condizente com a realidade em que eles estão inseridos. Um estudante pobre, que mora em uma região carente, filho de pais pouco escolarizados é uma presa fácil de ideias esquerdistas.

Além disso, alguns professores entendem que a decadência do ensino – escolas mal conservadas, falta de equipamentos, salários baixos, etc. – é um subproduto do capitalismo. Somente em uma economia socialista, estudantes pobres poderão ter acesso à educação de boa qualidade. Professores difundem esse pensamento em escolas públicas, que se transformam em verdadeiros centros de ódio ao capitalismo. Alguns desses jovens carentes chegam a universidade, onde, muitas vezes, a pregação ideológica e anticapitalista continua.

Como mudar tudo isso? Particularmente, acredito que esse quadro somente pode ser mudado a partir do momento que a educação passar a ser levada realmente a sério no Brasil. Façamos uma comparação. A Coreia do Sul, no começo da década de 1960, era um país paupérrimo, sem indústrias, sem riquezas naturais, com uma população iletrada e assolado por uma guerra sangrenta. Em aproximadamente 40 anos, esse país asiático deixou para trás um quadro de miséria e se transformou em uma nação desenvolvida. Como explicar tanto sucesso em tão pouco tempo? A Coreia fez há mais de 50 anos o que o Brasil não fez até hoje: levou a educação a sério. De acordo com o PISA (Programme for International Student Assessment ), a Coreia do Sul é um dos países mais bem ranqueados no mundo, em termos de educação básica.

Resumindo, educação é a alavanca da mobilidade social, ela pode reduzir desigualdade e pobreza. Ela é também um elemento fundamental no desenvolvimento econômico. Nenhum país do mundo se desenvolveu sem investir em capital humano. Por outro lado, escolas sucateadas, ensino de má qualidade e professores desvalorizados abrem espaço para a difusão de ideias socialistas. Já passou da hora do Brasil levar educação a sério.

domingo, 21 de junho de 2015

Liberdade econômica e desenvolvimento

Ao assistir a um vídeo com vários discursos proferidos durante o 5º Congresso Nacional do PT, senti um profundo desapontamento. Entre outros tantos absurdos, muitos palestrantes se manifestaram abertamente contra o capitalismo e a favor do socialismo. Isso demonstra o atraso do embate entre direita e esquerda no Brasil. A discussão sobre o melhor modelo econômico, socialismo ou capitalismo, está superada pelo menos desde a queda do Muro de Berlim. Nos países mais avançados, o debate é entre liberais e social-democratas, ambos a favor do capitalismo.


Cingapura: riqueza e liberdade econômica

O próprio Thomas Piketty, a grande estrela da esquerda na atualidade, já disse várias vezes ser a favor do capitalismo. Em seu livro “O capital no século XXI”, ele cita um exemplo bem interessante. Na França, na década de 1880, uma bicicleta custava o equivalente a seis meses de trabalho e era de péssima qualidade. Na mesma França, quase 100 anos depois, na década de 1960, uma bicicleta custava menos de uma semana de trabalho e a qualidade era muito superior. Qual sistema econômico proporcionou essa tremenda queda de preço?

Socialistas acreditam ainda que o liberalismo é uma simples invenção das elites para manter seu status quo. Esse é outro equívoco. Uma economia de mercado pode beneficiar a todos, ricos e pobres, capitalistas e trabalhadores.  Para Simon Kuznets (1901-1985), “o crescimento é como a maré alta: levanta todos os barcos”. Ou seja, levanta tanto um transatlântico, como uma jangada.

Muito bem. Mas se o capitalismo liberal é tão bom assim, por que existe tanta pobreza e desigualdade nos países em desenvolvimento, entre eles o Brasil? A resposta é relativamente simples. Falta ao Brasil justamente aquilo que os socialistas mais criticam: liberdade econômica. De acordo com o Índice de Liberdade Econômica (Index of Economic Freedom), criado pelo prestigioso centro de pesquisa norte-americano Heritage Foundation, o Brasil ocupa a 118ª posição, num ranking de 178 países, ordenados de acordo com o grau de liberdade econômica. O Brasil está atrás de países como Honduras, Gâmbia, Tanzânia, Nicarágua, Senegal, Costa do Marfim, Zâmbia, Bósnia e Hezergovina, Namíbia, Uganda, Suazilândia, Albânia, El Salvador, Cabo Verde e Guatemala. Ou seja, estamos muito mal na foto. É bom ressaltar também que, nas três últimas posições, estão: Venezuela (176), Cuba (177) e Coreia do Norte (178).

Mas o que significa liberdade econômica e como esse índice é calculado? Basicamente, ter liberdade econômica significa: proteção à propriedade privada, livre-comércio, estabilidade monetária e um Estado pequeno em relação ao tamanho da economia.

Por todo mundo, vemos uma forte correlação entre liberdade econômica e qualidade de vida da população. Em países mais livres, as pessoas têm salários mais altos, direitos civis mais protegidos, meio-ambiente mais limpo e maior expectativa de vida. Em países mais livres, há menos corrupção, menos trabalho infantil e menos desemprego.

Dentro desse contexto, um caso que chama bastante a atenção é Cingapura. Esse pequeno país asiático, ex-colônia britânica, independente apenas desde 1959 e muito pobre em seu passado recente, está hoje entre os países mais ricos e desenvolvidos do mundo. Coincidentemente, no ranking dos países mais livres, Cingapura está em segundo lugar, atrás apenas de Hong Kong.

Finalizando, deixo aqui uma questão. Em qual modelo econômico o Brasil deveria se basear para melhorar o padrão de vida de todos, mas sobretudo dos mais pobres? No modelo capitalista-liberal de Cingapura ou no modelo socialista-centralizador de Cuba? A resposta é óbvia demais? Pois eu acho que essa pergunta deveria ser enviada aos dirigentes do PT. Talvez essa minha análise (e outras que tenho feito) seja muito superficial – petistas já me disseram isso mais de uma vez. É possível que os intelectuais petistas consigam analisar esses fatos com mais profundidade e perceber aquilo que eu não consigo enxergar: ou seja, que o modelo socialista-centralizador cubano é o melhor.



segunda-feira, 15 de junho de 2015

Imperialismo capitalista: mito e realidade

É muito recorrente entre os teóricos socialistas a crença na ideia de que a riqueza dos países capitalistas desenvolvidos provém da exploração de nações pobres. Isso logicamente não é verdade. Mas pior que uma mentira é uma meia mentira. Portanto, convém entender o que é mito e o que é realidade nessa história toda.

O capitalismo, desde os seus primórdios, no século XVI, – período conhecido também como mercantilismo – sempre operou em escala global: conquista da América, entrada de metais preciosos na Europa etc. No final do século XVIII e início do século XIX, com a Revolução Industrial, esse ímpeto expansionista se abrandou. Porém, no final do século XIX, há um novo período de expansão colonial. O que explica essa mudança?

A Revolução Industrial proporcionou uma grande concentração de riqueza nas potências econômicas da época. Por vezes, as poucas alternativas de investimento dentro do próprio país levavam os capitalistas a buscarem investimento mais lucrativo em outras nações.

Aqui mesmo no Brasil, temos um caso que elucida bem essa questão. Nesse período, o Brasil sofria um dilema. O café era uma atividade econômica altamente rentável. Porém, apesar da grande disponibilidade de terras férteis para plantio, não havia como aumentar a produção devido à ausência de uma infra-estrutura de transportes. Solução: o Brasil fez acordos com capitalistas ingleses para a construção de ferrovias no estado de São Paulo. O transporte sobre trilhos deu grande impulso à economia cafeeira e, posteriormente, contribuiu para a industrialização do país.

Lenin: teórico do imperialismo e líder revolucionário

Temos nesse exemplo uma situação clara de trocas voluntárias e ganhos mútuos. Mas nem sempre as coisas funcionavam assim. Por vezes, as potências econômicas subjugavam pela força diferentes partes do mundo em busca de lucro. Os teóricos do imperialismo, sobretudo o líder bolchevique Vladimir Ilitch Lenin (1870-1924), acreditavam que essa era uma característica inerente ao capitalismo que não tinha como ser sanada e que a única solução seria uma revolução comunista. Lenin estudou esse assunto profundamente, mas cometeu alguns erros toscos que os próprios marxistas posteriormente vieram a admitir. Num momento em que o capitalismo estava se fortalecendo, Lenin disse que o imperialismo representava o último estágio do capitalismo. Acreditava que o fim do capitalismo estava muito próximo. Chegou inclusive a usar a expressão “capitalismo moribundo”.

Como podemos ver, o capitalismo continua bem vivo até hoje. Essa tese de Lenin, portanto, estava errada. Mas o que dizer dessa ânsia capitalista de dominar as nações mais pobres? No meu entendimento, esse neocolonialismo foi um processo complexo que não tem como ser compreendido meramente pela ótica econômica. Ele tem a ver com a política, com o nacionalismo, com o fervor religioso (levar o cristianismo a “povos selvagens”), com uma percepção errada de como a economia funciona e até mesmo com a loucura cega de alguns indivíduos. É bastante possível que o imperialismo não tenha favorecido as potências econômicas da época, pois manter nações inteiras sob o jugo militar envolvia elevadíssimos custos financeiros. As nações colonizadas podem ter sido exploradas, mas também foram favorecidas em alguns aspectos. As potências imperialistas construíram hospitais, escolas, ferrovias entre outras coisas. Povos colonizados tiveram acesso a vacinas, antibióticos e outros tratamentos médicos.  E, definitivamente, o imperialismo não explica por que existem nações ricas e pobres. Muitos países desenvolvidos da atualidade nunca foram imperialistas. Alguns exemplos: Canadá, Austrália, Nova Zelândia, Suécia, Suíça e Noruega. Outros países desenvolvidos são ex-colônias de países imperialistas, tais como: Hong Kong, Taiwan, Coréia do Sul e Cingapura.

Submeter coercivamente nações estrangeiras é algo moralmente errado. O imperialismo assemelha-se ao escravismo, é uma mancha no passado da humanidade, porém não é fruto do capitalismo, conforme argumentava Lenin. E, finalmente, o imperialismo não tem absolutamente nenhuma relação com os fundamentos da doutrina liberal.

domingo, 7 de junho de 2015

Olavo de Carvalho?

No meu último artigo, fiz algumas referências não muito lisonjeiras ao filósofo Olavo de Carvalho e muita gente não gostou. Me chamaram até de esquerdista por conta disso. Será que alguém deve ser taxado de esquerdista por discordar do pensamento de seja lá quem for? Penso que não. Geralmente, o pessoal da esquerda é que acredita em profetas iluminados. A turma de direita costuma ser mais racional.


Vou fazer um breve relato sobre o que penso desse senhor. Muito bem, conheci Olavo de Carvalho navegando na internet. Comecei então a assistir aos seus vídeos. A princípio, fui gostando. Um cara muito inteligente, culto, que se comunica muito bem e tudo isso que vocês já sabem. Porém, sempre havia alguma coisa aqui, outra ali que me desagradavam. Por fim, fui desgostando a ponto de adquirir verdadeira ojeriza.

Vamos lá, quais são as críticas que eu faço a Olavo:

  • Ele usa xingamentos e palavrões. Tudo bem, é o estilo dele. Mas é algo que me desagrada. E acho que é uma atitude que não combina muito bem com uma pessoa que fala de moral, comportamento, religião, fé etc. É contraditório e soa algo falso, pelo menos para mim. Se você tiver um filho jovem ou adolescente, você recomendaria a ele assistir aos vídeos de Olavo? Será que ele é um bom exemplo para a juventude?

  • Ele acredita em teorias conspiratórias. Vou citar uma apenas. O presidente Obama não nasceu nos Estados Unidos. Vamos analisar com calma. Obama é filho de uma norte-americana e um queniano. Não faz diferença onde ele nasceu. Se a mãe dele é norte-americana, ele tem direito à cidadania norte-americana e ponto final. Por que Obama iria mentir sobre isso e forjar uma certidão de nascimento falsa? Isso não tem lógica para mim.

  • Às vezes, ele fala algumas coisas absurdas. Por exemplo, fumar não faz mal a saúde. Bem, se ele estiver certo, milhões de médicos e cientistas no mundo inteiro estão errados.

  • Ele é contra o feminismo e defende a família patriarcal. O que será que ele chama de família patriarcal? Isso me faz lembrar minha infância, uma época de maridos autoritários e mulheres submissas e oprimidas. Será que é esse mundo que ele quer de volta? Fico particularmente surpreso quando vejo mulheres elogiando Olavo sem objeções.

  • Por fim, não gosto da forma como ele discute a questão da homossexualidade. Por acaso, esse é um problema que envolve pessoas da minha família de quem eu gosto muito. É um problema complexo e que tem de ser tratado de forma respeitosa e delicada. Não gosto do tom de zombaria e deboche que ele usa ao tratar desse tema. Ele diz ser contra direitos gays. Não concordo. Nós ainda temos de avançar nessa questão. E entendo também que ele dissemina uma doutrina de ódio com suas teses, o que é o pior de tudo.

Bem, resumidamente, isso é o que eu penso sobre Olavo de Carvalho.

O Rodrigo Constantino e ele fizeram as pazes? Que bom, eu nem sabia. A paz é sempre melhor que a guerra.

Já que toquei no assunto, vou falar o que penso do Constantino. Descobri através de um amigo. Primeiro, vi seus vídeos. Depois, comecei a acompanhar seu blog. Concordo com quase 100% do que ele diz. Mas 100% acho que eu não concordo nem comigo mesmo. Não gosto muito quando ele fala mal do Rio de Janeiro, pois eu, assim como a maioria dos paulistas, adoro o Rio.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Liberalismo e homofobia

Penso que homofobia é muitas vezes um problema de falta de informação. O leitor conhece o caso David Reimer? Rapidamente: David Reimer nasceu no Canadá em 1965. Aos oito meses, Reimer teve seu pênis destruído após um acidente, durante uma cirurgia de fimose. Sem saber o que fazer, os pais do garoto procuraram orientação de um renomado psicólogo que defendia a tese de que a identidade de gênero é algo aprendido socialmente. O psicólogo sugeriu que o pênis destruído fosse removido juntamente com os testículos e que uma vagina fosse construída no local. David passou a se chamar Brenda e a ser criado como menina.

Neonazistas: a intolerância persiste

O resultado dessa experiência maluca não poderia ter sido pior. David nunca se sentiu como menina. Aos 14 anos, o adolescente entrou em depressão profunda. Os pais resolveram então contar-lhe toda a verdade sobre a sua mudança de sexo. Depois disso, David fez todo o caminho de volta. Passou a usar seu nome original e a vestir-se como um garoto. Posteriormente removeu as mamas – decorrente do uso de hormônios femininos – e passou a tomar hormônios masculinos. Ele chegou a casar-se e tornou-se padrasto dos três filhos de sua esposa. Mas nada deu certo. Ele voltou a entrar em depressão e suicidou-se aos 38 anos.

Esse caso deixa claro que a tese do tal renomado psicólogo estava completamente errada. Identidade de gênero não é algo socialmente aprendido e sim inato. Todos nós nascemos com uma identidade sexual. Ou em outras palavras, todos nós já nascemos hétero ou homossexuais. E não existe nenhum tratamento que possa reverter essa situação. Ou seja, não existe cura gay.

É verdade que alguns neurocientistas costumam dizer que a identidade de gênero depende de fatores orgânicos e sociais. Isso acontece porque cientistas de um modo geral costumam ser muito comedidos ao divulgar os resultados de suas pesquisas. Eu, particularmente, estou convencido de que a identidade de gênero decorre totalmente de fatores congênitos. Várias pesquisas científicas apontam nessa direção. Vou comentar apenas uma delas. Cientistas da Universidade Karolinska, na Suécia, realizaram exames de ressonância magnética e concluíram que os cérebros de homens homossexuais têm várias semelhanças físicas ao de mulheres heterossexuais. Por outro lado, os cérebros de mulheres homossexuais têm semelhanças aos de homens heterossexuais.

Tanto o caso David Reimer como a experiência dos cientistas suecos apontam na mesma direção: a identidade de gênero é uma característica congênita. Agora, sejamos razoáveis, discriminar (ou odiar) pessoas por um aspecto biológico não é algo muito inteligente. Algumas pessoas homofóbicas são desinformadas, acham simplesmente que homossexualidade é safadeza, pouca vergonha. Há ainda um outro grupo: os neonazistas, que querem promover uma limpeza na sociedade eliminando tudo que está corrompido, estragado ou deformado.

Para os liberais, por sua vez, esses dois casos (Reimer e Karolinska) não acrescentam nada, ou quase nada, em relação a como os gays e lésbicas devem ser tratados. Se a homossexualidade não fosse uma característica biológica e sim uma escolha pessoal, não mudaria nada. As pessoas verdadeiramente liberais entendem que todos os indivíduos são livres para buscar a felicidade. Todo indivíduo é livre para fazer o que bem entender da sua própria vida, desde que não prejudique ninguém com suas atitudes. É assim que as pessoas realmente liberais pensam.

Temos aqui uma clara divisão dentro do espectro ideológico direitista. De um lado, está a direita liberal que defende o liberalismo econômico e as liberdades individuais. De outro, a direita conservadora que também defende o liberalismo econômico, mas é restrita em relação às liberdades individuais.

Essa direita conservadora dificilmente é moderada. Ela é, quase sempre, retrógrada, teocrática e fascista. Seus líderes dizem que não são homofóbicos, mas difundem uma doutrina de preconceito e ódio entre seus seguidores. Um dos principais representantes dessa direita fascista, um filósofo muito popular no YouTube, usa a estranha expressão “gayzismo” para se referir aos grupos de ativismo LGBT. Esse filósofo não tem nenhuma simpatia por esses grupos e logicamente faz isso para associar esse movimento a outros nada veneráveis, como: fascismo, nazismo, comunismo etc.

Segundo esse senhor, o gayzismo politicamente organizado começou em Roma, no século I. Durante trezentos anos, a elite gayzista romana perseguiu, torturou e matou centenas de milhares de cristãos. Esse ódio anticristão, responsável pela morte de milhões de pessoas, persiste até hoje. E o principal representante desse movimento hoje, no Brasil, é, acreditem ou não, o deputado federal pelo PSOL e ex-BBB, Jean Wyllys.

Segundo o tal filósofo direitista, Jean Wyllys (e os gayzistas em geral) é movido pelo mesmo ódio que movia a elite romana. Ele é impulsionado por um desejo psicótico de remodelar o mundo à luz do seu desejo sexual. E o que Jean Wyllys deseja de fato é implantar uma ditadura gayzista no Brasil que vai terminar inexoravelmente numa perseguição de cristãos.

É evidente que tudo isso é uma bobagem que nem merece ser discutida. Porém muitas pessoas levam essas ideias a sério. Isso é preocupante. Ou melhor, muito preocupante. Na Alemanha, nas décadas de 1920 e 1930, um homenzinho desprezível também difundia sentimentos de preconceito e ódio fundamentados em teorias fantasiosas sobre determinados grupos da sociedade. Muitos acharam que aquele homem era demasiadamente ridículo e não o levaram a sério. O homenzinho desprezível foi em frente com seu projeto de purificar a sociedade de todo o mal. O final dessa história, todos nós conhecemos bem. 

domingo, 31 de maio de 2015

Falácias marxistas: a teoria da mais valia e a exploração da classe trabalhadora


Em todos modos de produção que existiram – exceto no comunismo primitivo –, as sociedades sempre se dividiram em duas classes: os dominantes e os dominados. Com a divisão de classes, surge a exploração do homem pelo homem. Isso é muito fácil de perceber nos modos de produção mais antigos como o escravismo e o feudalismo. Mas, e no capitalismo? Existe exploração? Um trabalhador recebe salário, é pago pelo seu trabalho, então ele não é explorado, correto? Não, no capitalismo também existe exploração, só que essa é disfarçada. Todavia, Marx mostrou, através da teoria da mais valia, como ocorre a exploração no modo capitalista de produção.


Karl Marx: teorias equivocadas

Talvez o leitor não acredite nessa balela toda de divisão de classes, de explorados e exploradores e tudo mais. Porém, os adeptos do socialismo acreditam. Então acho que vale a pena gastar um pouco do nosso tempo para entender melhor essa teoria e onde estão seus equívocos. Se você tiver algum amigo socialista (eu tenho alguns), esse artigo vai lhe proporcionar alguns argumentos interessantes.

Muito bem, antes de tudo, convém ressaltar que a teoria da mais valia está baseada na teoria do valor trabalho. Entender como se determina o valor de uma mercadoria não é algo trivial. A teoria do valor trabalho é considerada ultrapassada pelos economistas modernos. Na realidade, na metade do século XIX, quando Marx desenvolveu a teoria da mais valia, muitos economistas já tinham percebido que não é a quantidade de trabalho embutida em um bem que determina o seu valor. Portanto, a teoria de Marx parte de uma premissa que hoje praticamente todos os economistas – exceto os marxistas, logicamente – consideram equivocada.

A forma mais fácil de entender a teoria da mais valia é através de um exemplo. Suponhamos que um operário trabalhe dez horas em uma empresa. Ele recebe um salário proporcional a essas dez horas. Porém esse salário estaria sempre no nível de subsistência – Marx e a maioria dos economistas de sua época supunham que os salários sempre se mantinham nesse nível. Mas digamos que o tempo de trabalho necessário para que operário produza o valor correspondente ao custo de sua subsistência seja de seis horas. O que acontece com as quatro horas excedentes? O valor gerado nesse período fica para o capitalista. A mais valia é, portanto, a materialização do trabalho excedente. A exploração no capitalismo ocorre mediante extração de mais valia.

Onde estão os erros dessa teoria? Marx considera que somente o trabalho humano gera valor. Capital (máquinas, equipamentos, instalações etc.) não produz valor. Para que não houvesse exploração, todo valor gerado na produção de mercadorias deveria pertencer à classe trabalhadora. O capitalista é um simples parasita que extrai mais valia dos trabalhadores.

Será que isso está correto? Vejamos. O capitalista em algum momento de sua vida – ou de alguém que legou a ele os meios de produção – teve de se esforçar, poupar recursos, para chegar a essa situação. Todo objeto da riqueza é fruto do sacrifício humano. O sacrifício dos operários é obvio. Porém a posse de meios de produção exige sacrifícios semelhantes dos capitalistas. Logo, trabalhadores e capitalistas têm justificativas morais semelhantes para auferir renda.

Vejamos outro ponto que Marx não analisou. Quem gera inovação tecnológica? Os capitalistas ou os trabalhadores? É evidente que são os capitalistas. O que acontece com uma economia sem capitalistas? Entra em estagnação. Foi justamente isso que levou ao fim do comunismo na União Soviética, na China e em quase todo o mundo.

A capacidade de inovação e produção de riquezas do capitalismo é algo simplesmente extraordinário. Eu não estou me referindo apenas à produção de carros chiques e sofisticados, computadores, celulares, internet e coisas do gênero. Estou me referindo também à saúde e à produção de alimentos.

No Brasil, no início do século XX, a expectativa de vida era pouco superior a 30 anos. Atualmente, está acima de 70. Isso aconteceu porque mais pessoas têm acesso a saneamento e a água potável. Também porque empresas capitalistas inovadoras desenvolveram vacinas e antibióticos que permitiram tratar de doenças que dizimavam milhões de indivíduos. A inovação capitalista está presente também na agricultura. Há algumas décadas, seria impossível produzir alimentos suficientes para alimentar a atual população do planeta.

E os socialistas? Deixaram alguma inovação relevante? Que eu me recorde, o único produto soviético que é comercializado até hoje em larga escala é o fuzil AK-47. Essa arma rústica e de fácil manuseio, desenvolvida em 1947 pelo engenheiro e militar russo Mikhail Kalashnikov, é até hoje largamente comercializada. É provavelmente a arma de fogo mais comercializada no mundo e também a favorita de terroristas e traficantes de drogas. Ao ver o destino que sua invenção tomou, Kalashnikov disse certa vez que preferiria ter inventado um cortador de grama.

Entre as inovações capitalistas e socialistas, eu já fiz a minha escolha. Mais complicado é convencer socialistas aonde a teoria da mais valia, quando levada às suas últimas conseqüências, pode chegar.