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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Terrorismo e o colonialismo europeu

Quando alguém diz uma bobagem, normalmente não dou muita importância. Mas quando duas, três, quatro, cinco, uma multidão repete a mesma asneira, acho que está na hora de dar uma resposta. A última quimera que está na boca de alguns esquerdistas psicóticos é que os ataques terroristas ocorridos recentemente na França são resultado do colonialismo europeu.

Imperialismo: estaria aí a culpa?

Muito bem. É verdade que, a partir do século XVI, vários países europeus estabeleceram colônias em praticamente todos os continentes. Com o colonialismo e o imperialismo (final do século XIX), houve guerras e muita exploração econômica. Mas as potências imperialistas também construíram portos, ferrovias, estradas, escolas, hospitais. E, por conta do imperialismo, várias pessoas puderam ter acesso a vacinas, antibióticos e outros medicamentos. Portanto, o colonialismo e o imperialismo foram muito menos danosos do que os professores de história costumam ensinar aos seus alunos.

Para entender melhor essa questão, vamos analisar um caso que eu acho bem interessante. O Brasil é um grande produtor (e consumidor) de petróleo. Apesar disso, nosso país produz poucas plataformas petrolíferas. A maior parte desse material vem do exterior, sobretudo de três países: China, Coréia do Sul e Cingapura.

Meu objetivo aqui é analisar essa terceira nação. Cingapura é uma cidade-Estado, com 5,4 milhões de habitantes e uma área cinco vezes menor que a do Distrito Federal. É um país pobre em recursos naturais, não tem petróleo e era uma colônia britânica até 1959. Atualmente, Cingapura, de acordo com o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é o nono país mais desenvolvido do mundo, com um índice de 0,901. Deixando para trás países como Suécia, Dinamarca, Reino Unido e Japão. É isso mesmo, a ex-colônia britânica tem hoje um IDH superior a da sua antiga metrópole.

É interessante observar o seguinte. Cingapura não tem petróleo (diferente do Brasil), mas exporta plataformas de petróleo (diferente do Brasil que importa). A economia desse país asiático tem forte influência do governo. A estratégia deles é clara: produzir e vender produtos de alto valor agregado no mercado internacional. Na literatura econômica, isso ficou conhecido como modelo de desenvolvimento asiático. Parece que durante período Dilma I, o governo tentou seguir esse caminho, mas deu com os burros n’àgua.

Como explicar o sucesso de países como Cingapura? Essa não é uma tarefa fácil. Um componente fundamental tem a ver com a cultura. Estou me referindo aqui a cultura no sentido de visão de mundo. Nesses países de desenvolvimento acelerado, a população tem uma atitude muito pragmática em relação à vida e estão muito focadas no enriquecimento material. No Brasil e em boa parte da América Latina, a visão é outra. Muita gente insiste em culpar os países desenvolvidos (antigas potências coloniais) pelo nosso fracasso econômico. E, em algumas nações muçulmanas, a situação é muito pior. Fundamentalistas islâmicos entendem que o ocidente é responsável não apenas pela pobreza material, mas sim por todo mal que paira sobre a terra. A solução para eles é destruir o ocidente.

Particularmente, entendo que por trás de toda essa loucura está um sentimento bastante comum, mas altamente destrutivo: a inveja. Se meu vizinho compra um carro novo e isso me causa um certo pesar, posso agir de três formas: trabalhar mais, ganhar dinheiro e comprar um carro equivalente. Mas, em vez disso, posso sair por aí falando mal do meu vizinho, dizendo que ele é desonesto e que comprou o carro com dinheiro roubado. Ou, posso ser ainda mais radical: mato meu vizinho, ponho fogo no carro e digo que agi em nome de Deus.

O mais prudente parece ser trabalhar mais, ganhar dinheiro e comprar um carro novo. Mas não é isso que estamos assistindo. Algumas pessoas têm enorme dificuldade para admitir o próprio fracasso. Colocar a culpa no vizinho é algo bem mais cômodo. O número crescente de pessoas que está aderindo ao terceiro grupo parece nos mostrar que a loucura humana não tem limite.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Amantes da guerra

Chocado ainda com o atentado que matou 17 pessoas na França, o mundo inteiro se pergunta: como evitar a repetição de outros casos dessa natureza? Algumas pessoas acreditam que a solução está numa maior integração da comunidade mulçumana com o resto da população européia. Na França, e em outros países europeus, mulçumanos se sentem cidadãos de segunda classe. Nesse sentimento de exclusão, de não pertencimento, de se sentir filho ilegítimo da pátria, estaria a raiz de todo o mal. Pura bobagem.

França: manifestações em homenagem às vítimas

Em 19 de abril de 1995, um ex-soldado nova-iorquino chamado Timothy James McVeigh cometeu o maior atentado terrorista dos Estados Unidos até o ataque de 11 de setembro de 2001. No chamado atentado de Oklahoma City, McVeigh detonou 2500 quilos de explosivos deixados em um veículo estacionado em frente a um prédio do governo federal. A explosão deixou um saldo de 168 mortos e 850 feridos.

Qual a razão de tanto ódio? McVeigh estava profundamente frustrado por não ter sido aceito em um esquadrão de elite conhecido como boinas verdes. McVeigh não era mulçumano, nem descendente de árabes. Ele era um típico jovem norte-americano, exceto pela sua obsessão por armas e simpatia por idéias neonazistas. Em 2001, o ex-soldado foi executado com uma injeção letal. Nunca demonstrou arrependimento em relação ao ato que cometeu.

Resumo da história: terrorismo, morte e destruição não é coisa de árabes ou mulçumanos. A maioria da humanidade ama a paz, mas uma parte ama a guerra. Dê aos amantes da guerra uma ideologia, não precisa ser algo muito bem elaborado, basta ser algo que sirva de pretexto. Dê a eles um líder e o conflito pode começar. Na mente de um terrorista, o Ocidente, com seus valores de liberdade, igualdade e fraternidade, tornou-se um lugar sem graça: mulheres emancipadas, liberdade de expressão, direitos à comunidade LGBT, Estado de Bem Estar Social. Tudo isso que, para os amantes da paz, significa um grande avanço. Para fundamentalistas religiosos, significa simplesmente degeneração.

Reparem nas semelhanças. Berlin, durante a República de Weimar, nos anos 1920, era a cidade mais libertária da Europa. Era também a capital européia da prostituição. Prostíbulos de todos os tipos, gêneros e gostos espalhavam-se pela cidade. O que para alguns representava liberdade, para outros, representava decadência moral. Coube a Hitler, um amante da guerra, escolhido pelo povo, limpar todo esse lixo e recuperar valores germânicos tradicionais. Dê ao povo uma ideologia fajuta e um líder maluco e você terá uma multidão de fanáticos dispostos a matar a morrer por esse ideal. Estamos, portanto, em meio a uma guerra. Não de ocidentais contra árabes mulçumanos. Essa é uma luta entre os que amam a liberdade e a paz e os que glorificam a morte e a guerra.

                                          Berlin: liberdade ou decadência?


Eu me lembro bem do estardalhaço que as idéias do cientista político norte-americano Francis Fukuyama provocaram em 1992, quando foi publicado O Fim da História e o Último Homem. Segundo Fukuyama, a democracia e a economia de mercado representavam um ponto final na história da evolução cultural da humanidade. Muita gente torceu o nariz para essa teoria, principalmente os esquerdistas que taxaram-na de conservadora. Fukuyama estava evidentemente errado, mas antes essa tese estivesse correta. Quão bom seria se toda humanidade estivesse convergindo suavemente para uma social-democracia sueca. Mas não está. Infelizmente, a história da humanidade é a história de sucessivas guerras. E tudo indica que essa história não tem fim. 

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Terrorismo na França

Com um pouco de atraso, gostaria de fazer um breve comentário sobre o assassinato de doze cartunistas na França por terroristas ligados à Al Qaeda.

O ocidente está em guerra e o inimigo são extremistas mulçumanos. Essa guerra nos faz lembrar de outras com a qual mantém alguma semelhança. Durante a Grécia Antiga, na guerra de Esparta contra Atenas, tínhamos a contraposição de dois conjuntos de valores opostos e conflitantes. Esparta representava a vida tribal e Atenas, a sociedade aberta. Na Segunda Guerra Mundial, as coisas meio que se repetem. A Alemanha representava a nação militar, dedicada à guerra, enquanto a Inglaterra, a sociedade livre, dedicada ao comércio. Durante a Guerra Fria, os protagonistas foram União Soviética, regime autoritário e economia planificada, contra Estados Unidos, democracia e economia de mercado. Essa repetição de fatos trás à baila a seguinte questão: uma sociedade aberta sempre terá inimigos? Aparentemente sim. A sociedade aberta não é apenas mais livre e tolerante, ela é também mais próspera. Infelizmente, a inveja é um dos sentimentos mais destrutivos que existe. E é esse o sentimento que explica tanto ódio.

Charlie Hebdo: charges polêmicas

O desejo real dos grupos islâmicos radicais é destruir o ocidente e seus valores. Face ao atraso moral, intelectual e econômico em relação ao ocidente, os países islâmicos tinham duas alternativas: mudar suas instituições e se aproximar mais dos valores de uma sociedade aberta. Ou, transformar essa sociedade livre e próspera em um grande inimigo e começar uma guerra. Quem estudou um pouco que seja sobre povos tribais, nações militares e sociedades fechadas já saberia de antemão que o resultado seria esse a que estamos assistindo. Um cão não larga fácil de seu osso. Numa sociedade fechada, existem os donos do poder. A eles, não interessa mudança, é preferível a guerra.