quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Marxismo e religião

Um amigo me perguntou recentemente: por que ainda há tantos marxistas no Brasil? Dizem que não é muito educado responder uma pergunta com outra, mas terei de recorrer a esse artifício. Pensem comigo, como no mundo de hoje pode ainda haver fundamentalismo religioso? Como alguém lê um texto, supostamente sagrado, escrito há mais de 2000 anos e acredita que ele tem de ser seguido ao pé da letra? Como, depois de Charles Darwin ter publicado Origem das Espécies, alguém ainda acredita em criacionismo? Além do fundamentalismo religioso, há aqueles que acreditam OVNIs, os que acreditam em astrologia, energia cósmica, poder dos cristais e uma infinidade de maluquices. Portanto, por que se surpreender com o fato de muitas pessoas acreditarem ainda na ideologia marxista?

Pessoas que acreditam na teoria de Marx têm sérios problemas cognitivos. Eu não tenho dúvida disso. Certa vez, um amigo marxista veio me explicar por que o capitalismo não tinha como dar certo. Eu disse a ele: pare, eu não quero ouvir sua argumentação. O capitalismo já deu certo. Não deu certo no Brasil, mas deu certo em vários países. Estou me referindo a Estados Unidos, Alemanha, Japão, Austrália, Canadá etc. Nesses países, as pessoas têm alto padrão de vida, a desigualdade é relativamente pequena, existe um grande respeito pela liberdade individual, entre outras coisas. É lógico que existem problemas nesses países. O ser humano é imperfeito e todas as instituições criadas pelo homem (inclusive o capitalismo) são imperfeitas. Mas, nos países desenvolvidos, as pessoas gozam de um padrão de vida material jamais usufruído pela humanidade. Se uma teoria diz que o capitalismo não tem como dar certo, a teoria está errada e deve ir para a lata de lixo. Ou seria melhor descartar a realidade e ficar com a teoria? 

Outro amigo, também esquerdista, voltou de Cuba e ficou encantado com tudo que viu por lá. Ele me disse: em Cuba, é tudo racionado, mas ninguém passa fome (que lindo!). Em Cuba, todo mundo tem acesso a educação e saúde de graça (lindo, lindo!). Muito bem. Em vários outros países do mundo, as pessoas também não passam fome, a comida não é racionada, a educação e saúde são gratuitas e não foi necessária uma revolução sangrenta para conseguir esses benefícios. E também não é necessária uma ditadura opressora de 50 anos para manter essas conquistas.


                                       
Outra questão que muitas pessoas se fazem: por que existem tantos intelectuais marxistas? Para início de conversa, intelectual marxista é algo que não existe. Intelectual e marxista são duas palavras que não combinam. É como se eu dissesse terrorista moderado ou nazista piedoso. Para mim, nenhum intelectual é marxista e nenhum marxista é intelectual. O que eu conheço são marxistas que estudam muito. Estudam, estudam e não aprendem nada. Ficam sempre repetindo os mesmos clichês desgastados, não saem disso, mas se julgam intelectuais.

Alguns marxistas são melancólicos, outros são revoltados e têm ódio do mundo. Todo marxista é ressentido, tem um sentimento de insatisfação em relação à vida e acha que a culpa é do sistema. E para mudar o sistema, eles estão dispostos a qualquer coisa, inclusive pegar em armas e começar uma revolução. Sabemos que numa revolução há sempre muitas mortes. Mas não tem como ser diferente, afinal de contas “a violência é a parteira da história”.

Lênin: cada religião tem o santo que merece

No meu entendimento, a raiz do marxismo é de ordem religiosa. Na faculdade, eu tinha um colega marxista. Uma vez, perguntei a ele: como você se tornou marxista? Ele me disse que era muito católico, mas, com o tempo, deixou de acreditar em Deus. Aí, ele me disse: quando deixei de acreditar em Deus, tive de colocar alguma coisa em seu lugar. Ou seja, ateísmo não é para qualquer um. Quando uma pessoa deixa de acreditar em Deus, tende a colocar qualquer coisa no lugar. Pode ser discos voadores, teorias da conspiração, astrologia, marxismo etc. Portanto, marxismo nada mais é do que uma religião. Inclusive com elementos bem tradicionais: conversão, guerra santa, martírio, santos, paraíso prometido, etc. Para encerrar, não tente buscar lógica no comportamento marxista, visto que esse é um comportamento baseado na fé e não na razão.

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