sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O que esperar do novo governo Dilma

Quando comecei a escrever esse blog, meu objetivo era tratar somente de Economia Política. Mas, com a posse da nova-antiga presidente, resolvi abrir uma exceção. Não vou falar aqui dos desvios na Petrobrás, nem da mudança de rumo na política econômica e nem do presidencialismo de coalizão. Enfim, não vou tratar desses assuntos que estão sendo explorados pela mídia com exaustão. Vou fazer aqui uma breve reflexão sobre o que é o PT.

Dilma toma posse

Com a redemocratização do Brasil, na década de 1980, era mais que previsível que um partido de esquerda se firmasse no cenário político brasileiro. Isso, a princípio, parecia algo positivo. O Brasil tem uma história nada briosa, marcada pela pobreza, injustiça e desigualdade social. Um partido que representasse os interesses dessa gente sofrida e sempre deixada em segundo plano foi algo que agradou a muitos. Trabalhadores, intelectuais, artistas e pessoas comuns se juntaram para dar um novo rumo ao país.

O problema é que esses intelectuais tinham uma visão socialista do mundo. Eles eram anti-capitalistas, anti-livre-comércio, anti-livre-iniciativa, anti tudo que na cabeça deles estava associado àquele quadro de desigualdade e injustiça que perdurou durante séculos no Brasil. Por isso o PT começou como o partido do contra tudo. Eles votaram contra a Constituição Federal (1988), contra o Plano Real (1994), contra o sistema de metas de inflação (1999), contra a Lei de Responsabilidade Fiscal (2000), entre outros. Conclui-se que os avanços institucionais ocorridos no Brasil desde a redemocratização ocorreram apesar do PT e jamais por causa dele.

Após ser derrotado várias vezes na disputa pela Presidência da República, Lula percebeu que o discurso petista teria de ser mudado, caso contrário, o PT jamais chegaria ao posto mais alto do Executivo. Com muito marketing, o “sapo barbudo” foi transformado em “lulinha paz e amor”. E dessa forma, Lula chegou lá.

Na presidência, Lula percebeu que não era somente o discurso que estava errado. O projeto que eles tinham para o país, uma mistura indigesta de marxismo com desenvolvimentismo keynesiano terceiro mundista, era na realidade um enorme abacaxi. Se aquela paranoia ideológica fosse colocada em prática, o Brasil iria à bancarrota e isso seria o fim do PT. Mas, Lula, com sua esperteza macunaímica, soube dar a volta por cima. Ele manteve a política econômica de seu antecessor, FHC, e disse ao povo brasileiro que estava mudando o país, mas de forma lenta e responsável. De acordo com suas palavras, não era aconselhável dar um “cavalo de pau em um transatlântico”. Para sua sorte, houve, durante a sua gestão, um aumento significativo no preço das commodities no mercado internacional. O cenário externo favorável somado à estabilidade econômica herdada do seu antecessor proporcionaram um bom crescimento do PIB durante o seu governo.

Segundo o economista e filósofo austríaco Friedrich Hayek, em uma economia socialista, são sempre os piores que chegam ao poder. Pois, diante da malandragem de Lula, se havia gente bem intencionada no PT, esses foram formando uma fila e dando adeus ao partido. Ficaram os espertalhões, cínicos e gananciosos. Por isso é um erro dizer que o PT é um partido de esquerda. O PT não tem ideologia, não tem escrúpulos, não tem projeto de governo. O objetivo é simplesmente alcançar, manter e usar o poder em benefício de um determinado grupo. É usar o país para servir ao partido, enquanto o certo seria o partido servir ao país. O PT ainda mantém aquele discurso esquerdista meio requentado. Consegue convencer os ingênuos que acham que o país avançou muito com os governos Lula e Dilma. No que diz respeito aos escândalos de corrupção, esse é o preço que se paga para se ter uma sociedade mais justa e igualitária. Afinal, não há como se fazer uma omelete sem quebrar os ovos.

Com relação ao governo Dilma 2, o que podemos esperar? Penso que nada de positivo. Os ministérios já foram cínica e vergonhosamente loteados entre a tal base aliada. Entre outras aberrações, alguém em sã consciência acredita que não existem brasileiros mais qualificados que Aldo Rebelo para ocupar o Ministério da Ciência e Tecnologia? O Brasil precisa de uma reforma política urgente. Mas será que o PT quer essa reforma? Para o partido, as coisas parecem que estão indo bem desse modo. E, mesmo que quisesse, Dilma, enfraquecida pelo petrolão, não teria força para levar em frente tal mudança. Portanto, novamente, o que esperar desse governo? Eu não espero nada, torço apenas para que as coisas não fiquem ainda piores. 

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